David Bowie - Low (Alemanha, 1977)





1. Speed Of Life
2. Breaking Glass
3. What In The World
4. Sound And Vision
5. Always Crashing In the Same Car
6. Be My Wife
7. A New Career In A New Town
8. Warsawa
9. Art Decade
10. Weeping Wall
11. Subterraneans

David Bowie – vocais, guitarra, pump bass, saxofones, xilofones, vibrafones, gaita de boca, percussão pré-arranjada, teclados: sintetizador ARP, piano, Chamberlin (creditado no encarte do álbum com "tape strings", "tape-cello" e "tape-horns")
Brian Eno – vocais, splinter Minimoog, report ARP, guitar treatments, piano, teclado, sintéticos, Chamberlin, outros sintetizadores
Carlos Alomar – guitarra base
Dennis Davis – percussão
George Murray – baixo
Ricky Gardiner – guitarra
Roy Young – piano, órgão Farfisa
Peter Himmelman – piano, sintetizador ARP
Mary Visconti – backing vocals
Iggy Pop – backing vocals em "What in the World"
Eduard Meyer – cellos


Não, esta não é uma resenha pra glorificar a genialidade de David Bowie nem pra babar o seu ovo dizendo que ele foi um dos performers mais criativos e revolucionários da História da música (apesar de eu concordar com isso), e sim para chamar a atenção para o tecladista convidado para participar de um de seus melhores discos: Brian Eno.

Em 1977, Eno já não era apenas o ex-tecladista do Roxy Music: era um músico ambient que utilizava-se de apetrechos eletrônicos e não estava nem aí para o movimento punk e sua filosofia “Faça Você Mesmo” – e apesar de nessa época estar produzindo discos do Iggy Pop e mesmo o acompanhando anonimamente em turnês como tecladista, Bowie resolveu se mudar para Berlim e conceber o que seria o seu primeiro disco descaradamente influenciado pelo rock alemão. O próprio título (“Baixo”) já meio que antecipa o que ouviremos quando o colocarmos pra tocar: um disco gelado, “pra baixo”, algo depressivo e angustiante, próprio para embalar os momentos mais sofridos da famosa drugie Cristiane F. ...

É notável a maneira como o disco vai ficando cada vez mais experimental com o decorrer das faixas. Speed of Life abre o disco com um melodia lindíssima, um exemplo bem sucedido da mistura de guitarras elétricas com efeitos eletrônicos. É como uma vinheta instrumental de abertura para uma das melhores canções do disco, Breaking Glass, que mesmo com menos de dois minutos de duração poderia resumir o que de melhor a dupla Bowie/Eno já fez. What in the World já é uma música típica de Bowie, assim como Sound and Vision, esta última um dos maiores hits de sua carreira – mas mesmo nessas canções que parecem mais “normais” a mão de Eno está lá, fazendo a diferença. Always Crashing in the Same Car volta ao tom monótono e hipnótico típico da ambient music, que abre caminho para a excelente Be My Wife, uma típica grande música do Camaleão do Rock.

Ao virarmos o disco e colocarmos a agulha no começo do lado B :veio: , depois da sugestiva A New Career in a New Town, nos deparamos com a música mais low do disco: Warsawa. Instrumental e com uma melodia tristíssima, inspiração para as bandas de pós-punk como Joy Division (que aliás se chamava “Warsaw” no início da carreira) – ou seja, David Bowie e Brian Eno conseguiram lançar um disco que influenciou o movimento que viria a ser o decorrente da morte de um movimento que estava nascendo, o punk. Talvez porque eles eram músicos tão geniais que chegavam a ser visionários, ou simplesmente por sorte mesmo... As três canções seguintes, Art Decade, Weeping Wall e Subterraneans, também instrumentais, lembram muitos os discos da carreira solo de Eno, praticamente não se ouvem traços de Bowie, apenas alguns de seus backing vocals mais macabros e sinistros, como se o lado A fossem criações de Bowie com a participação de Eno e no lado B, criações de Eno com a participação de Bowie.

No fim, parece até injusto não constar o nome de Eno na capa, mas esse é um mero detalhe que não desmerece em nada essa legítima obra-prima, que pode não ser a mais revolucionária de todas (nos anos 70 o experimentalismo alemão não tinha limites, principalmente no que se tratava do uso de efeitos eletrônicos), mas sem dúvida uma das melhores e mais importantes.


Rafael Borges da Silva, 18 de setembro de 2008

Um comentário:

  1. exemplar modelo de resenha! toda opinião pra ser validada deve possuir o mínimo de informação técnicas pra que o leitor possa sentir vontade de acessar a informação! e além do mais, tuas resenhas não se encaixam na categoria "olhemcomoeuseidascoisasporissofaçoresenhasbeijão"

    keep on going dude!!!

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