Franz Pomassl - Trail Error (Austria, 1996)





1 - Start Stutter
2 - Long Term Pipeline Defect I
3 - Gamma Knife
4 - Audible Prestepeller
5 - Panner
6 - Trial Run
7 - Pipeline
8 - Hmm
9 - Minor Feeder
10 - Critical Band
11 - Long Term Pipeline Defect II
12 - Spinal Tap


Franz Pomassl - Dispositivos Eletrônicos Diversos


Franz Pomassl não é apenas e tão-somente um músico; acima de tudo, ele é um estudioso.

O seu estudo se concentra nas bordas da percepção auditiva humana, com a pretensão de tentar expandí-la através dos tímpanos lançando mão de efeitos eletrônicos e sons naturais e acústicos, desses que todos estamos acostumados a ouvir por aí.

Em 1991, Pomassl terminou seus estudos no Instituto de Música Eletro-acústica e Experimental da Universidade de Música de Viena e, depois de uma série de pesquisas no Centro de Simulação de Terremotos, em Tóquio, Japão, lançou o disco “Trail Error”, em 1996. Vamos às músicas:

Start Stutter - Uma pequena vinheta introdutória de apenas um minuto de duração, na verdade é só um loop de sintetizador

Long Term Pipeline Defect I – O disco abre com uma faixa que segue praticamente o mesmo compasso, o som lembra o fogareiro de um balão, mas mais sujo. Os intervalos ficam cada vez menores, e quando a música pega o embalo, termina. É a menor faixa do álbum.

Gamma Knife – Clima de espaço sideral, mas com ruídos de maçarico e uma espécie de purpurina cósmica sendo levada em direção aos confins do cosmo. Lá pela metade da música começa a cair uma chuva cósmica ácida, e parece que uma nave espacial está sendo derretida por ela, com a ajuda de um enxame de mosquitos disparando raios laser.

Audible Pestrepeller – Ao contrário do que o nome sugere, essa música é inaudível, devido a um ruído agudíssimo e intermitente no fundo, que perpetra por boa parte da faixa. Mas em primeiro plano temos o som de um elevador estragado sendo consertado por uma nuvem de grilos metálicos e eletrônicos e suas brocas nanomaquinais.

Panner – Música absurdamente eletrônica e repetitiva, alternando o tempo todo entre os canais esquerdo e direito. A peça menos interessante do disco, a meu juízo.

Trial Run – O ritmo é repetitivo, mas os sons ficam em constante mudança. Vão do fogareiro de balão ao motor de geladeira velha.

Pipeline – Depois de tantos ruídos eletrônicos, finalmente um momento de natureza: essa música consiste apenas e tão somente ao som numa praia num dia de maré alta e ventos acima de 100 km/h.

Hmm - Uma espécie de sinal telefônico dos infernos, fragmentado por ruídos eletrônicos diversos, interrupções e distorções analógicas.

Minor Feeder – Música com um clima mórbido e assustador, alcançando a fusão perfeita de sons eletrônicos e desesperadores com ruídos repetitivos e metálicos, como se ela estivesse sendo tocada dentro de um hangar com paredes de alumínio situado no meio de uma tempestade noturna de areia no deserto.

Critical Band – Mais uma com o ruído insuportável, mas desta vez sendo explorado até o limite da criatividade, com diferentes ritmos e arranjos.

Long Term Pipeline Defect II – A maior faixa do álbum, que na verdade é só uma versão estendida da faixa de abertura. Alguns indivíduos nerds costumam apreciar esse tipo de simetria.

Spinal Tap - E, para encerrar, como querendo dar um definitivo parecer da proposta do disco, depois de tanta eletrônica eficaz, a faixa em questão apresenta-se com defeito, sendo impossível sua execução... O feitiço se volta contra o feiticeiro icon_neutral.gif ...

Enfim, um disco altamente recomendado para amantes de música experimental, ou simplesmente para pessoas interessadas na expansão de seus sentidos...


Rafael Borges da Silva, 7 de março de 2006

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